sábado, 22 de julho de 2017

CIRCE A RAINHA DAS FEITICEIRAS E DEUSA DA NOITE

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Circe era uma famosa feiticeira, considerada a Deusa da Noite, que com imenso poder da alquimía, elaborava venenos e poções mágicas. Segundo a lenda, costumava transformar os homens em animais, vivendo em um palácio cheio de artifícios. Filha de Perséia - a destruição, também com significado de Hécate e de Hélios - o deus sol, Circe era considerada a Deusa da Lua Nova ou Lua Negra, do amor físico, feitiçaria, encantamentos, sonhos precognitivos, maldições, vinganças, magia negra, bruxaria, caldeirões.

Com o auxílio de sua varinha, poções, ervas e feitiços, transformava homens em animais, fazia florestas se moverem e o dia virar noite. Os escritores antigos Homero, Hesíodo, Ovídio e Plutarco relataram suas proezas, garantindo para ela um lugar nas lendas. Vivia num palácio encantado, cercado por lobos e leões, seres humanos enfeitiçados. Crê-se que essa ilha se encontra hoje onde é o Monte Circeu.

Circe casou-se com o Rei dos Sámatas e tendo-o envenenado, se refugiou na Ilha de Ea ou Eana, no litoral da Italia. O nome da ilha Ea ou Eana é traduzido como prantear e dela emanava uma luz tênue e fúnebre. Essa luz identificava Circe como a deusa da morte horrenda e do terror. Era também associada aos vôos mortais dos falcões, pois, assim como estes, ela rodeava suas vítimas para depois enfeitiçá-las.

O grito do falcão é "circ-circ", considerado a canção mágica de Circe, que controlava tanto a criação quanto a dissolução. Sua identificação com os pássaros é importante, pois eles têm a capacidade de viajar livremente entre os reinos do céu e da terra, possuidores dos segredos mais ocultos, mensageiros angélicos e portadores do espírito e da alma. Escritores gregos antigos a citavam como "Circe das Madeixas Trançadas", pois podia manipular as forças da criação e destruição através de nós e tranças em seus cabelos. Como o círculo, ela era também a tecelã dos destinos.

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Na Odisséia, no decurso de suas perambulações, o herói Ulisses e sua tripulação desesperada chegaram na Ilha de Eana, onde vivia Circe. Ao desembarcar, Ulisses subiu até uma montanha de onde avistou um ponto no centro da ilha, um palácio rodeado de árvores.

Ulisses enviou seus homens para verificar as condições de hospitalidade. Ao se aproximarem do palácio os gregos viram-se rodeados de leões, tigres e lobos, não ferozes mas domados pela arte de Circe, que eram homens transformados em feras por seus encantamentos. De dentro do palácio vinha uma música suave e o canto de uma bela voz de mulher. Quando entraram, ela os recebeu e eles de nada desconfiaram, exceto Euríloco, o chefe da expedição.

A deusa serviu vinho e iguarias. Enquanto eles se divertiam, Circe tocou-os com uma varinha de condão e eles se transformaram imediatamente em porcos, embora conservando a inteligência de homens. Euríloco se apressou a voltar ao navio e contar o que vira. Ulisses, então, resolveu ir ele próprio tentar a libertação dos companheiros.

Enquanto se encaminhava para o palácio encontrou o jovem Hermes, que conhecia suas aventuras e lhe contou dos perigos de Circe. Não sendo capaz de convencer Ulisses, Hermes deu-lhe o broto de uma planta chamada Moli, dotada do poder de resistir às bruxarias e ensinou-lhe o que deveria fazer.

Quando Ulisses chegou ao palácio foi recebido por Circe com muita cortesia, que lhe serviu vinho e comida. Mas quando ela o tocou com a varinha para transformá-lo em porco, Ulisses tirou sua espada e investiu furioso contra a deusa, que implorou clemência. Ulisses exigiu que ela libertasse seus companheiros e ela retirou o encantamento. Os homens readquiriram suas formas e Circe prometeu um banquete para toda tripulação.

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Tratados magnificamente durante vários dias, Ulisses esqueceu de retornar à Ítaca, e se resignou àquela vida inglória de ócio e prazer. Por alguns anos, Ulisses permaneceu com Circe aprendendo com ela as magias do encantamento. Por fim seus companheiros apelaram para seus sentimentos mais nobres, e ele resolveu partir.

Circe recomendou aos marinheiros tapar os ouvidos com cera para passar sãos e salvos pela costa da Ilha das Sereias. As sereias eram ninfas marinhas que tinham o poder de enfeitiçar com seu canto, fazendo-os atirar-se ao mar e encontrar a morte. A Ulisses, Circe aconselhou a amarrar a si mesmo no mastro dando instruções a seus homens para não libertá-lo, fosse o que fosse que ele dissesse ou fizesse, até terem passado pela Ilha das Sereias.

As sereias eram ninfas marinhas que tinham o poder de enfeitiçar com seu canto todos quantos as ouvissem, de modo que os infortunados marinheiros sentiam-se irresistivelmente impelidos a se atirar ao mar onde encontravam a morte.

No poema "Endimião", do poeta Keats, podemos ter uma idéia do que se passava no pensamento dos homens que eram transformados em animais pela feiticeira Circe. Esses versos abaixo teriam sido ditos por um monarca que tinha sido transformado em elefante pela Deusa:

"Não lamento a coroa que perdi,
A falange que outrora comandei
E a esposa, ou viúva, que deixei.
Não lamento, saudoso, minha vida.
Filhos e filhas, na mansão querida,
Tudo isso esqueci, as alegrias
Terrenas olvidei dos velhos dias.
Outro desejo vem, muito mais forte.
Só aspiro, só peço a própria morte.
Livrai-me desse corpo abominável.
Libertai-me da vida miserável.
Piedade Circe! Morrer e tão-somente!
Sede, deusa gentil, sede clemente"!

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O arquétipo de Circe é, antes de tudo, a figura de uma mulher independente, consciente de seus desejos e sua feminilidade. Circe representa o amor, a paixão irracional e um poder incrível. Ela nos traz à luz da nossa força interior, que não só representa a sexualidade, mas também os tesouros do inconsciente.

Circe nos diz que:

Depois da dor, vem o saber
Do saber, surge o crescimento
O crescimento nos leva a transformação
Da transformação emana o poder.

Circe representa a mente inconsciente capaz de metamorfosear e seu poder de criar encantamentos destrutivos. É a inteligência dos desejos que retém o homem à sua natureza inferior - animal. Graças a Hermes, símbolo da transmutação, Ulisses se inicia na arte da magia sem se deixar escravizar por ela.

Dos dois caminhos da magia: a negra - egoísta e a branca - que liberta o homem da condição animalesca, Ulisses escolhe permitir que seus companheiros reencontrem a sua condição de homens, continuando sua rota, agora esclarecido sobre qual o caminho a seguir.

A intenção de Ulisses era retornar à Ítaca e sem perder tempo nesse mundo transitório, ele continua a sua rota. Evitando o canto das sereias e fazendo-se amarrar ao mastro do barco, Ulisses se abstém da armadilha que representa as vozes do desejo que despertam no homem a ambição do poder. Ulisses, amarrado por sua vontade, irá resistir às forças da paixão e dos desejos. O herói da Odisseia representa a inteligência unida à vontade do Eu superior, que faz calar as vozes melosas da ilusão.

Selma = 3fasesdalua

As Dádivas da Deusa Hécate

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O dia 13 de Agosto era uma data importante no antigo calendário greco-romano, dedicada às celebrações das deusas Hécate e Diana, quando Lhes eram pedidas bênçãos de proteção para evitar as tempestades do verão europeu que prejudicassem as colheitas.


Na tradição cristã comemora-se no dia 15 de Agosto a Ascensão da Virgem Maria, festa sobreposta sobre as antigas festividades pagãs para apagar sua lembrança, mas com a mesma finalidade: pedir e receber proteção. Com o passar do tempo perdeu-se o seu real significado e origem e preservou-se apenas o medo incutido pela igreja cristã em relação ao nome e atuação de Hécate. Esta poderosa Deusa com múltiplos atributos foi considerada um ser maléfico, regente das sombras e fantasmas, que trazia tempestades, pesadelos, morte e destruição, exigindo dos seus adoradores sacrifícios lúgubres e ritos macabros. Para desmistificar as distorções patriarcais e cristãs e contribuir para a revelação das verdades milenares, segue um resumo dos aspectos, atributos e poderes da deusa Hécate.

Hécate, também chamada de Perséia, era filha dos titãs Astéria a noite estrelada e Perses o deus da luxúria e da destruição, mas foi criada por Perséfone a rainha dos infernos, onde ela vivia. Antes Hécate morava no Olimpo, mas despertou a ira de sua mãe quando roubou-lhe um pote de carmim. Ela fugiu para a terra e tornando-se impura foi levada às trevas para ser purificada. Vivendo no Hades, ela passou a presidir as cerimônias e rituais de purificação e expiação. Hécate em grego significa "a distante". 

Tinha características diferentes dos outros deuses mas Zeus atribuiu-lhe prestígio. Após a vitória dos deuses olímpicos contra os titãs, a titânomaquia, Zeus, Poseidon e Hades partilharam entre sí o universo. A Zeus coube o céu e a terra, a Poseidon coube os oceanos e Hades recebeu o mundo das trevas e dos mortos. Hécate manteve os seus domínios sobre a terra, os céus, os mares e sobre o submundo, continuando a ser honrada pelos deuses que a respeitavam e mantiveram seu poder sobre o mundo e o submundo.

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Ela é representada ora com três corpos ora com um corpo e três cabeças, levando sobre a testa uma tiara com a crescente lunar, uma ou duas tochas nas mãos e serpentes enroladas em seu pescoço. Suas três faces simbolizam a virgem, a mãe e a velha senhora. Tendo o poder de olhar para três direções ao mesmo tempo, ela podia ver o destino, o passado que interferia no presente e que poderia prejudicar o futuro. As três faces passaram a simbolizar seu poder sobre o mundo subterrâneo, ajudando à deusa Perséfone a julgar os mortos.

Para os romanos era considerada Trívia a deusa das encruzilhadas. Associada ao cipreste, Hécate se fazia acompanhar de seus cães, lobos e ovelhas negras. Por sua relação com os encantamentos, feitiços e a obscuridade, os magos e bruxas da antiga Grécia lhe faziam oferendas com cães e cordeiros negros no final de cada lua nova. Também combateu Hércules quando ele tentou enfrentar Cérbero, o cão guardião do inferno com três cabeças que sempre lhe acompanhava.

O tríplice poder de Hécate se estendia do inferno, à terra e ao mar. Ela rondava a terra nas noites da lua nova e no mar tinha seus casos de amor. Considerada uma divindade tripla: lunar, infernal e marinha, os marinheiros consideravam-na sua deusa titular e pediam-lhe que lhes assegurasse boas travessias. O próprio Zeus lhe deu o poder de conceder ou negar qualquer desejo aos mortais e aos imortais. Foi Hécate quem ajudou Deméter quando ela peregrinou pelo mundo em busca de sua filha Perséfone.

Quando Perséfone, a amada filha de Deméter foi raptada por Hades o senhor do submundo quando colhia flores, sua mãe perambulou em desespero por toda a Terra. Senhora dos cereais e alimento, a grande mãe Deméter mortificada pela tristeza, privou todos os seres de alimento. Nada nascia na terra e Hécate, sendo sábia e observando o que acontecia, contou a Deméter o que havia sucedido a Perséfone.

Zeus decidiu interferir e ordenou que Perséfone regressasse para junto de sua mãe, desde que não tivesse ingerido nenhum alimento nos infernos. Porém, antes de retornar, Perséfone comeu algumas sementes de romã, o fruto associado às travessias do espírito. Assim ele podia passar duas partes do ano na superficie junto da Mãe, era quando a terra florescia. Mas Perséfone devia retornar para junto de Hades uma parte, era quando a terra cessava de florescer.

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Hécate espalhava sua benevolência para os homens, concedendo graças a quem as pedia. Dava prosperidade material, o dom da eloquência na política, a vitória nas batalhas e nos jogos. Proporcionava peixe abundante aos pescadores e fazia prosperar ou definhar o gado. Seus privilégios se estendiam a todos os campos e era invocada como a deusa que nutria a juventude, protetora das crianças, enfermeira e curandeira de jovens e mulheres.

Acreditava-se que ela aparecia nas noites de Lua Nova com sua horrível matilha diante dos viajantes que cruzavam as estradas. Ela era considerada a deusa da magia e da noite em suas vertentes mais terríveis e obscuras. Com seu poder de encantamento, também enviava os terrores noturnos e espectros para atormentar os mortais. Frequentava as encruzilhadas, os cemitérios e locais de crimes e orgias, tornando-se assim a senhora dos ritos e da magia negra. Senhora dos portões entre o mundo dos vivos e o mundo subterrâneo das sombras, Hécate é a condutora de almas e as Lâmpades, ninfas do Subterrâneo, são suas companheiras.

Com Eetes, Hécate gerou a feiticeira Circe a deusa da noite que se tornou uma famosa feiticeira com imenso poder da alquimía. Segundo a lenda, a filha de Hécate elaborava venenos, poções mágicas e podia transformar os homens em animais. Vivendo em um palácio cheio de artifícios na Ilha Ea ou Eana, no litoral da Italia, Circe se tornou a deusa da Lua Nova ou Lua Negra, sendo relacionada à morte horrenda, à feitiçaria, maldições, vinganças, sonhos precognitivos, magia negra e aos encantamentos que ela preparava em seus grandes caldeirões.

Hécate é um arquétipo primordial do inconsciente pessoal e coletivo, que nos permite o acesso às camadas profundas da memória ancestral. É representada no plano humano pela xamã que se movimenta entre os mundos, pela vidente que olha para passado, presente e futuro e pela curadora que transpõe as pontes entre os reinos visíveis e invisíveis, em busca de segredos, soluções, visões e comunicações espirituais para a cura e regeneração dos seus semelhantes.

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Como Prytania, a “Rainha dos mortos”, Hécate é a condutora das almas e sua guardiã durante a passagem entre os mundos, mas Ela também rege os poderes de regeneração, sendo invocada no desencarne e nos nascimentos como Protyraia, para garantir proteção e segurança no parto, vida longa, saúde e boa sorte.

Hécate Kourotrophos cuida das crianças durante a vida intra-uterina e no seu nascimento, assim como fazia sua antecessora egípcia, a parteira divina Heqet. Possuidora de uma aura fosforescente que brilha na escuridão do mundo subterrâneo, Hécate Phosphoros é a guardiã do inconsciente e guia das almas na transição, enquanto as duas tochas de Hécate Propolos, apontadas para o céu e a terra, iluminam a busca da transformação espiritual e o renascimento, orientado por Soteira, a Salvadora.


Como deusa lunar Hécate rege a face escura da Lua, Ártemis sendo associada com a lua nova e Selene com a lua cheia. No ciclo das estações e das fases da vida feminina Hécate forma uma tríade divina juntamente com: Kore/Perséfone/Proserpina/Hebe que presidem a primavera, fertilidade e juventude, Deméter/Ceres/Hera regentes da maturidade, gestação, parto e colheita e o Seu aspecto Chtonia, deusa anciã, detentora de sabedoria, padroeira do inverno, da velhice e das profundezas da terra.


Hécate Trivia e Trioditis, protetoras dos viajantes e guardiãs das encruzilhadas de três caminhos, recebiam dos Seus adeptos pedidos de proteção e oferendas chamadas “ceias de Hécate”. Propylaia era reverenciada como guardiã das casas, portas, famílias e bens pelas mulheres, que oravam na frente do altar antes de sair de casa pedindo Sua benção. As imagens antigas colocadas nas encruzilhadas ou na porta das casas representavamHécate Triformis ou Tricephalus como pilar ou estátua com 3 cabeças e 6 braços que seguravam suas insígnias: tocha (ilumina o caminho), chave (abre os mistérios), corda (conduz as almas e reproduz o cordão umbilical do nascimento), foice (corta ilusões e medos).

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Devido à Sua natureza multiforme e misteriosa e à ligação com os poderes femininos “escuros”, as interpretações patriarcais distorceram o simbolismo antigo desta deusa protetora das mulheres e enfatizaram Seus poderes destrutivos ligados à magia negra (com sacrifícios de animais pretos nas noites de lua negra) e aos ritos funerários.


Na Idade Média, o cristianismo distorceu mais ainda seus atributos, transformando Hécate na “Rainha das bruxas”, responsável por atos de maldade, missas negras, desgraças, tempestades, mortes de animais, perda das colheitas e atos satânicos. Estas invenções tendenciosas levaram à perseguição, tortura e morte pela Inquisição de milhares de “protegidas de Hécate”, as curandeiras, parteiras e videntes, mulheres “suspeitas” de serem Suas seguidoras e animais a Ela associados (cachorros e gatos pretos, corujas).

No intuito de abolir qualquer resquício do Seu poder, Hécate foi caricaturizada pela tradição patriarcal como uma bruxa perigosa e hostil, à espreita nas encruzilhadas nas noites escuras, buscando e caçando almas perdidas e viajantes com sua matilha de cães pretos, levando-os para o escuro reino das sombras vampirizantes e castigando os homens com pesadelos e perda da virilidade. As imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes “escuros” da Deusa, padroeira da independência feminina, defensora contra as violências e opressões das mulheres e regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.


No atual renascimento das antigas tradições da Deusa compete aos círculos sagrados femininos resgatar as verdades milenares, descartando e desmascarando imagens e falsas lendas que apenas encobrem o medo patriarcal perante a força mágica e o poder ancestral feminino. Em função das nossas próprias memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a Deusa Escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens destorcidas não são reais, nem verdadeiras, que nos foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.

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A conexão com Hécate representa para nós um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação. Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.

Descendente dos Titãs, Hécate não tem um mito próprio e foi uma das divindades mais ignoradas da mitologia grega, mencionada apenas em outros mitos, tal como o mito de Perséfone e Deméter. Hécate é deusa dos caminhos e seu poder de olhar para três direções ao mesmo tempo sugere que algo no passado pode interferir no presente e prejudicar planos futuros.

A deusa grega nos lembra da importância da mudança, ajudando-nos a libertar do passado, especialmente do que atrapalha nosso crescimento e evolução, para aceitar as mudanças e transições. Às vezes ela nos pede para deixar o que é familiar e seguro para viajarmos para os lugares assustadores da alma. Novos começos, seja espiritual ou mundano, nem sempre são fáceis mas Hécate está lá para apoiar e mostrar o caminho.

Ela empresta sua clarividência para vermos o que está profundamente esquecido ou até mesmo escondido de nós mesmos, ajudando a encontrarmos e escolhermos um caminho na vida. Com suas tochas, ela nos guia e pode nos levar a ver as coisas de forma diferente, inclusive vermos a nós mesmos, ajudando-nos a encontrar uma maior compreensão de nós mesmos e dos outros.


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Hécate nos ensina a sermos justos e tolerantes com aqueles que são diferentes e com aqueles que tem menos sorte, mas ela não é demasiadamente vulnerável, pois Hecate dispensa justiça cega e de forma igual. Apesar de seu nome significar "a distante", Hécate está presente nos momentos de necessidade. Quando liberamos o passado e o que nos é familiar, Hécate nos ajuda a encontrar um novo caminho através de novos começos, apesar da confusão das ideias, da flutuação dos nossos humores e às incertezas quando enfrentamos as inevitáveis mudanças de vida.

A poderosa deusa possuia todos aspectos e qualidades femininos, tendo sob seu controle as forças secretas da natureza. Considerada a patrona das sacerdotisas, deusa das feiticeiras e senhora das encruzilhadas, Hécate transita pelos três reinos, a todos conhece mas nenhum domina. Os três reinos são posses de figuras masculinas, mas ela está além da posse ou do ego, ela é a sábia, a anciã. A senhora do visível e do invisível, aguarda na encruzilhada e observa: o passado, o presente e o futuro. Ela não se precipita, aguarda o tempo que for preciso até uma direção ser tomada. Ela não escolhe a direção, nós escolhemos. Ela oferece apenas a sua sabedoria e profunda visão, acima das ilusões.

Os gregos sempre viam Hécate como uma jovem donzela. Acompanhada frequentemente em suas viagens por uma coruja, símbolo da sabedoria, a ela se atribuia a invenção da magia e da feitiçaria, tendo sido incorporada à família das deusas feiticeiras. Dizia-se que Medéia seria a sacerdotisa de Hécate. Ela praticava a bruxaria para manipular com destreza ervas mágicas, venenos e ainda para poder deter o curso dos rios e comprovar as trajetórias da lua e das estrelas.

Como deusa dos encantamentos, acreditava-se que Hécate vagava à noite pela Terra, sempre acompanhada por seu espíritos e fantasmas. Suas lendas contam que ela passava pela Terra ao pôr do Sol, para recolher os mortos daquele dia. Como feiticeira, não podia ser vista e sua presença era anunciada apenas pelos latidos dos cães. Na verdade, as imagens horrendas e chocantes são projeções dos medos inconscientes masculinos perante os poderes da deusa, protetora da independência feminina, defensora contra a violência e opressão das mulheres, regente dos seus rituais de proteção, transformação e afirmação.



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Em função dessas memórias de repressão e dos medos impregnados no inconsciente coletivo, o contato com a deusa escura pode ser atemorizador por acessar a programação negativa que associa escuridão com mal, perigo, morte. Para resgatar as qualidades regeneradoras, fortalecedoras e curadoras de Hécate precisamos reconhecer que as imagens distorcidas não são reais nem verdadeiras. Elas foram incutidas pela proibição de mergulhar no nosso inconsciente, descobrir e usar nosso verdadeiro poder.

Para receber seus dons visionários, criativos ou proféticos, precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da deusa escura dentro de nós, honrando seu poder e lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos sua presença em nós, ela irá nos guiar. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações. Somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.

A conexão com Hécate representa um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique. Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação.

As Moiras teciam, mediam e cortavam o fio da vida dos mortais, mas Hécate podia intervir nos fios do destino. Muitas vezes foi representada com uma foice ou punhal para cortar as ligações com o mundo dos vivos. O cipreste está associado à imortalidade, intemporalidade e eterna juventude. Sendo a morte encarada como passagem transformadora e não o fim assustador e definitivo, essa significação tem origem na própria terra que dá vida, dá a morte e transforma os frutos em novas sementes que irão renascer.


Selma - 3fasesdalua

sexta-feira, 7 de julho de 2017

ARADIA DE TOSCANO - A RAINHA DAS BRUXAS

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Aradia de Toscano - (Volterra, Itália, 1313 – ?)


ARADIA, A RAINHA DAS BRUXAS Aradia de Toscano,
nasceu em 13 de agosto de 1313 em Volterra, Itália. Diz a lenda que ela era filha de Deusa Lunar Diana,
e que foi responsável pela perpetuação de seu culto. 

Alguns historiadores afirmam que seu pai poderia ter sido Apolo, Lucifer ou Dianus.

Ela viveu nos montes de Alban e florestas perto do lago Nemi, na Itália, junto aos escravos que haviam se libertado de seus senhores.

Ali ela ensinou-lhes a Antiga Religião e pregava o amor pela liberdade. Sua forte presença e suas palavras cheias de amor, trouxe esperança para os camponeses que eram explorados pelos senhores feudais. Desta fora ela aumentou-lhes a auto-estima, deu-lhes o devido valor e ensinou-lhes a terem respeito por si próprios. 
Aradia colocou-os em harmonia com a natureza através de seus ritos sazonais e rituais da Lua Cheia.

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A Igreja Católica a perseguiu como “Rainha das Bruxas” e colocou-a na prisão. Lá foi torturada e sentenciada à morte. No dia da execução, não foi encontrada em sua cela. Tinha escapado milagrosamente e voltou a ensinar sua religião ao povo. Quando presa novamente pelos soldados, falou ao padre: “Você só traz a punição para àqueles que se livraram da Igreja e da escravidão. Estes símbolos e roupa de autoridade que veste, só servem para esconder a nudez que nos faz iguais. Você diz que serve a um deus, mas você serve somente a seus próprios medos e limitações”.

Acabou presa desta vez, por heresia e traição. Sentenciada novamente à morte, outra vez escapou, retornando às montanhas, junto aos seus, onde fez uma revisão em seus ensinamentos.


Um dia comunicou a todos que partiria para o Leste. Entregou-lhes uns escritos que tinham por título: “A Carga da Deusa”, onde descrevia minuciosamente todos os rituais. Antes de partir, instruiu seus seguidores para recordá-la compartilhando vinho e bolos nos cerimoniais sagrados. Prometeu, que todo aquele que clamasse por Diana, sua mãe, e por ela, receberiam muitas graças e seriam abençoados.



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Após a partida de Aradia, os covens foram terrivelmente perseguidos e muitos deles disimados pelos inquisitores. Eram eles: Janarric (mistérios lunares), Fanarric (mistérios da terra) e Tanarric (mistérios estelares). Estes grupos são consultados ainda hoje como às Tradições da Tríade.


Em 1508, Bernardo Rategno, um inquisitor italiano, documentou um volumoso acréscimo no número de seitas de bruxaria começados no ano de 1350. Correspondia exatamente com o período que Aradia encontrava-se na Itália, ensinando a Antiga Religião. 

Aradia era a doutrinadora da Antiga Religião da Deusa e também a protetora das bruxas. Era uma deusa intelectualizada com a chama de uma Amazona em seu interior. É uma deusa associada com a Lua Cheia, apresentando o espírito de uma “Donzela”, somada à habilidade e presteza herdada de sua mãe Diana e também a sabedoria de uma “Anciã”.

Aradia é um símbolo para as bruxas atuais. Através de seus ensinamentos nós nos transformamos e nos unimos ao céu, à terra, à lua e ao universo.

Fonte de Pesquisa: Rosane Volpatto


Selma - 3fasesdalua


quinta-feira, 6 de julho de 2017

A GRANDE ARTE DE SER UMA BRUXA DA BRUXARIA TRADICIONAL



"O aprendiz que você é hoje antevê o mestre que você vai ser. Conhecimento só é poder quando passado para frente. A sabedoria é poder para O OUTRO. Se você é um aprendiz, mas se recusa a ser um mestre, seu aprendizado foi estéril, inútil e provavelmente irreal. Quem aprende DE VERDADE passa o conhecimento para frente."




Quando me perguntam qual a minha religião e Eu tento explicar que sigo a Bruxaria Tradicional e que sempre foi uma opção de escolha minha ser uma BRUXA e por isto ser pagã, por EU acreditar também que o mundo está presenciando, atualmente, um novo despertar da Deusa, resgatando a sacralidade do princípio feminino, mesmo assim as pessoas teimam em não querer entender.

Essas mesmas pessoas que não entendem que dentro da minha prática de Religião levamos muito a sério o Livre Arbítrio que está também escrito no Livro Sagrado dos Cristãos.

Livre Arbítrio na Bruxaria Tradicional não é escolher entre "certo e errado", livre-arbítrio é traçar seu próprio caminho mesmo quando o caminho escolhido for o de muitos outros. Para a Bruxaria Tradicional não existe certo e errado, existem apenas caminhos mais longos e mais curtos, mas cada um tem o seu caminho a percorrer, todos eles com muitas idas e vindas ao sabor dos ciclos. Por vezes corremos, por vezes andamos lentamente, por vezes tomamos atalhos e depois retornamos para resgatar o que ficou para trás, serve de ensinamento para o presente e o futuro. Por fim, percebemos quão intimamente relacionados estão o livre-arbítrio e a verdade. Praticar o livre-arbítrio é buscar, se aproximar e concretizar a verdade.



Para vocês que não praticam a Bruxaria Tradicional quero também deixar vocês ciente que nós Bruxas temos os nossos Esbates que é: As três faces da Deusa se apresentam sucessivamente à medida que a Lua cresce e decresce no céu. Assim, ao longo de uma lunação, há o momento de plantar, de colher e de ceifar. A cada Lua Cheia realizamos um esbate para acertarmos o ritmo de nossas vidas com a natureza, mas nada impede que um círculo que adote a Veneração Ancestral, por algum motivo específico, celebre ocasionalmente também alguma outra fase da Lua, muito embora aconselhemos não celebrar a Lua Negra (quando a Lua está do outro lado da Terra durante a noite).

Para completar temos os nossos oito Sabbats, celebrados a cada ano pelos Covens das Bruxas e pelas Bruxas Solitárias, são belas cerimônias religiosas derivadas dos antigos festivais que celebravam, originalmente, a mudança das estações do ano. Os Sabbats, também conhecidos como a "Grande Roda Solar do Ano" e "Mandala da Natureza", têm sido celebrados sob formas diferentes por quase todas as culturas no mundo. São conhecidos sob vários nomes e aparecem com frequência na mitologia.
Os quatro Sabbats principais (ou grandes) correspondem ao antigo ano gaélico e são chamados de Candlemas, Beltane, Lammas e Samhain. Os quatro menores são Equinócio de Primavera, Solstício de Verão, Equinócio do Outono e Solstício de Inverno.

Bruxaria Tradicional trás em sua Raiz a Tradição das Bruxas Ancestrais comum a todas as tradições cuja à sua linhagem se originou durante, ou antes, da Idade Média e não foi interrompida. A magia é uma das característica das Bruxas Tradicionais.




Pertencer a Arte Antiga significa ser livre, amar a liberdade, amar magias, amar a igualdade, acreditar na humanidade, amar os animais, apreciar a Natureza, ficar por horas contemplando a Lua e as estrelas, fazer meus rituais e outras coisas então podem dizer que eu sou essa criatura Maravilhosa.

A Grande Arte Antiga não impõe a ninguém um procedimento ou uma atitude única. Ao contrário, ela é ampla e nos permite agir de acordo com nossos princípios, contudo, lembra-nos sempre da verdade maior "Tudo o que fizeres voltará em triplo para ti", ou "Tudo aquilo que fizer retornará a você nesta vida multiplicado por três"…

A Bruxaria seja ela qual vertente for também conhecida por muitos como a filosofia ou religião da Grande Mãe, que pode ser ela a Terra, a Lua, a Natureza, a Água, as Árvores, as Plantas e a Vida... É enfim, a abençoada “Magia” de uma Bruxa.

Ser Bruxa atuante e competente requer mais que a simples racionalização do desejo. Cumpre-lhe conhecer os princípios físicos e metafísicos subentendidos em todo o trabalho mágico e espiritual, a fim de poder usar corretamente o Poder e para o bem de todos e todas. Bruxa é criatura humana, encarnada. Que ri que chora que sangra... e tem que saber viver no mundo como ser humano responsável, para poder ser Bruxa responsável. Há que aprender a respeitar os anciãos que têm muito a ensinar, como: a semear, a colher, a ouvir o próprio interior, a conhecer e acima de tudo, observar que a Terra, é nosso Lar, mas não é apenas nosso, é de todo ser vivo que tem direito à vida tanto quanto nós.

Para vocês Eu quero responder que tudo isto é ser BRUXA por isto muito prazer Eu SOU UMA BRUXA TRADICIONAL.


Selma – 3fasesdalua



sábado, 17 de junho de 2017

EU SOU SACERDOTISA EU SOU PAGÃ


Eu sou uma Sacerdotisa da Bruxaria Tradicional e também sou Pagã. Eu sou parte de toda a Natureza. As Pedras, os Animais, as Plantas, os Elementos e Estrelas são meus parentes. Outros humanos são minhas irmãs e irmãos, sejam quais forem suas raças, cores, sexo, orientações sexuais, idades, nacionalidades, religiões, estilos de vida. Sou Bruxa e sou Pagã sendo assim posso afirma que o Paganismo é um nome genérico que se refere às religiões politeísta, panteísta e animista, ou seja, religiões que respeitam a natureza como um ser divino, que possui espírito e cultuam vários Deuses e Deusa.

Eu uso a magia para melhorar minha vida e das pessoas que me procuram, aprendendo com meus erros e renovando minha capacidade de reconhecer o universo como um milagre de magia e perfeito equilíbrio. Conheço os diversos mundos e busco trazer deles o que melhor condiz com minha realidade e as necessidades que surgem nos giros da Roda da Vida, aprendendo a lição dos ciclos.

Pertencer a Bruxaria Tradicional e ser Pagã significa que estou livre para ser a criatura maravilhosa que Eu sou, Eu tenho a coragem e a força para me permitir ser quem eu realmente sou e não me tornar mais uma sem ideia que eles pensam que Eu "deveria" ser. Eu sou a filha de muitas mães e muitas são as que me guiam. Também sou filha de muitos pais e muitos são os que me aconselham. A Deusa que me ilumina, é aquela que me ensina e o Deus que me fortalece, é aquele que me engrandece e todos os Deuses trazem a mim o seu alento.



No meu Templo celebramos a Roda do Ano criando junto com as minhas irmãs de alma que me cercam a dança ancestral, refazendo os caminhos já trilhados por nossos antepassados de uma maneira nova e em consonância com nosso tempo. Nós dançamos ao redor de fogueiras ao som de tambores. Nós acreditamos na Grande Mãe, que também é Donzela e Anciã. Cultuamos o Deus Chifrudo e com ele caminhamos sob o céu. Praticamos ritos antigos, e também novos. Levo minhas irmãs às celebrações lunares e solares, desejando que elas cresçam cada vez mais responsáveis e tenham auto -determinação, independência e liberdade. Que elas possam fazer a magia do amor.

Ao longo desses anos conheci muitos pagãos, cada vez mais pessoas que acorda do pesadelo das visões retilíneas do universo e passa a sonhar o doce sonho da Terra. Nessas pessoas descubro meus irmãos e irmãs de alma, meus companheiros e companheiras de caminho, minhas parceiras na dança espiral. Me orgulho de viver em um tempo em que a Deusa sorri e podemos retribuir seu sorriso em alegria e liberdade. Nunca mais os tempos da fogueira.

Eu honro a Grande Deusa em Seus muitos aspectos de Grande Mãe, e o Deus Pai, em suas formas de Velho Deus Céu, Pai Tempo e Rei do azevinho. Eu decoro minha casa com luzes e com azevinho, hera, visco, sempre-vivas e outras ervas sagradas para esta estação. Eu toco sinos no novo ano solar e falamos muito, aprendemos muito, na caminhada da Bruxaria.


Mas muitas pessoas não percebem que o que movimenta a magia é a nossa fé. De que adianta, uma Sacerdotisa, uma Bruxa, um Mago ou um Aprendiz, viver em função de rituais, bruxedos, se sua fé não está enraizada.
Sabemos da existência da "Lei Tríplice", sabemos do quanto é ela importante na caminhada, mas se a fé não andar de mãos dadas com a prática, tudo se torna vazio...

Não sou perfeita, e não cobro perfeição, não sou imune a erros e defeitos, afinal sou humana como todos são!
Não corro atrás de ninguém, por entender, que amizades, que começam assim, já não tem bases sólidas...
Mas sou compreensiva aos impulsos humanos, afinal quem sabe realmente o teor do sentimento amor, sabe que se deve ser flexível.
Falo mansamente a minha verdade, e sei ouvir as dos outros, pois entendo que esse é o parâmetro da socialização humana...
Não obrigo ninguém a nada, pois detesto flagelos que nos prendem, amo a liberdade, tanto de expressão, quanto de personalidade...
Estou aqui no mundo, única e exclusivamente para evoluir, cair, me levantar e prosseguir como qualquer humano que compreende a necessidade do seu próprio caminhar.

Eu sou uma Bruxa Tradicional e também sou Pagã, mas eu não sou má. Não prejudico ninguém com o meu poder! Não sou perigosa... Minha religião não é uma piada! Não sou fantasia...Sou real! Você não precisa ter medo de mim...Não quero converter você! Mas, por favor, não tente me converter. Apenas me dê o mesmo direito que lhe dou: Viver em paz! Sou muito mais parecida com você, do que possa imaginar e por tudo isto que Eu entendo que a Espiritualidade da natureza é a minha religião e minha base de vida. Natureza é minha professora espiritual e meu livro sagrado. Eu sou parte da Natureza e a Natureza é parte de mim. Minha compreensão dos mistérios internos da Natureza cresce enquanto eu viajo neste caminho espiritual.

Eu abraço o título de ser UMA SACERDOTISA DA BRUXARIA TRADICIONAL E PAGÃ e tenho orgulho de suportar. Eu amo isso, pode me chamar de Bruxa de Pagã agora e sempre, pois não me sinto mal sobre isso.

Selma – 3fasesdalua



sábado, 27 de maio de 2017

A MAGIA DAS BRUXAS DA BRUXARIA TRADICIONAL


"Magia, aquilo que os céticos chamam de ilusão, os tolos de poder e os sábios chamam de vida."
Eddie Van Feu




As pessoas costumam temer o que não conhecem bem, e é isso o que acontece com relação à Bruxaria Tradicional talvez por isto nos dias de hoje muitas pessoas perderam a capacidade de olhar o mundo com encantamento, mas podemos reaprender isso prestando atenção nas lendas e nos mitos que ainda falam de realidades invisíveis que nos rodeiam. Talvez seja por isto que a Magia se tornou mal vista quando pessoas não preparadas resolvem tentar "despertar" os outros, contando-lhes coisas que não foram vistas e induzindo lhes ao erro camuflado de "grandes verdades da Magia”.

Na Bruxaria Tradicional aprendemos que toda Magia que flui de nossa conexão com o sagrado é energia de nossa vida, esta deve ser guiada pela natureza sagrada quando trabalhamos com ela, pois entendemos que a Magia muitas vezes funciona de maneira inesperada porque não é um processo mecânico, e o Universo não é uma máquina, estamos vivendo e fazendo Magia dentro de uma Divina Realidade, por isto nós Bruxas da Bruxaria Tradicional entendemos que as Bruxas não comandam nem controlam destinos, apenas recriam.

Entender o Segredo Real da conjuração do sucesso, como acontece com toda Magia, é a sua ligação com o Poder Sagrado que habita dentro de você e te rodeia. Tenha sempre cuidado com o que vai pedir, pois ao trabalhar, viver e praticar sua Magia em harmonia com a natureza, você estará em harmonia com o Deus e a Deusa que está dentro de você, no mundo e em toda natureza ao seu redor. 



Qualquer um tem o direito de praticar a Bruxaria seja ela em qual vertente for, pois se toda religião é formada basicamente de fé e misticismo, podemos compreender que religião e ocultismo estão interconectados. Dessa forma, concluímos que ocultismo é o conhecimento secreto das religiões, pois a capacidade humana de questionar-se é uma de suas maiores virtudes ao longo da história. O simples ato de buscar o autoconhecimento, compreender a própria origem e um significado supremo da existência na Terra.

Quando a mulher se descobre Bruxa da Bruxaria Tradicional sua alma reage, Ela reconhece o caminho em outras vidas percorrido. Não se trata então de um descobrimento. Na verdade, a Bruxa da Bruxaria Tradicional se redescobre Bruxa… Ela atende o clamor de sua alma e assume seu papel de ponte entre os mundos, pois na Bruxa Tradicional nós Bruxas deixamos nossa vida dançar suavemente nas bordas do tempo como o orvalho sobre a ponta de uma folha, pois entendemos que a Bruxa não pertence a nenhuma cultura, sociedade ou tribo ela é parte da sabedoria universal.

As Bruxas da Bruxaria Tradicional não somente varrem, Elas bane más energias. Elas não limpa, purifica. As Bruxas Tradicionais não cantam, encantam. Pois suas palavras são mágicas, e sua boca é santa, por isto estamos sempre estudando e procurando a sabedoria das nossas antepassadas, pois Bruxa Tradicional é, antes de tudo, alguém que está em contato com energias sutis. Olhamos ao nosso redor e vemos mais do que matéria. Vemos o íntimo, o Espírito das coisas nas coisas.



Eu nasci com este dom de ser uma Bruxa da Bruxaria Tradicional nunca fiz nada para ser assim. Consigo sempre ver nas coisas e nas pessoas algo mais do que coisas e do que pessoas. É fácil para Eu responder-lhes e brincar com as suas energias. Bruxas Tradicionais vê o passado como referencial, o presente como luz e o futuro como meta, acreditamos no poder do feminino, temos os nossos próprios termos. Nós comungamos com a natureza. Escolhemos nossas próprias semânticas livremente, sem nenhum mediador. E o mais importante nós fazemos as coisas acontecerem. Somos parteiras para a metamorfose. Somos mulheres mágicas, somos Bruxas Tradicionais e nós, literalmente, mudamos o mundo.

Espero e faço meus pedidos a Grande Mãe para que as pessoas nos respeitem assim como respeitamos todos que não são pagãos, peço que essas pessoas entendam que não aceitamos o conceito de “mal absoluto”, nem adoramos qualquer Entidade conhecida como Satã ou Demônio, como definido pela Tradição Cristã. Não buscamos Poder através do sofrimento de outros, trabalhamos dentro da Natureza para aquilo que é positivo e praticamos Ritos para nos alinharmos ao ritmo natural das Forças Vitais marcadas pelas Fases da Lua.

O bom de ser Bruxa da Bruxaria Tradicional é que não precisamos estampar quem somos... Os Deuses nos reconhecem em nossos pequenos detalhes, pois é preciso muito mais do que um ritual teatral para se chegar a Deusa! O Poder está no Sentir... Ouvir... E Calar. Nada tem um fim definitivo... Tudo se torna outra coisa... Tudo se transforma... Até mesmo nós. Somos a natureza. Tudo o que nos cerca é natureza. A Deusa é natureza, portanto, é TUDO.

Selma – 3fasesdalua



terça-feira, 23 de maio de 2017

SOU O QUE SOU POR ISTO SOU UMA BRUXA DA BRUXARIA TRADICIONAL


Quero ir para um lugar onde o barulho seja apenas do vento e do mar...onde haja além de mim somente a presença divina da natureza "contaminando" a paisagem...e que lá reine os bons pensamentos e os sentimentos mais simples, entre eles a gratidão!
Rah Bruxa




O caminho da Bruxaria Tradicional é o fogo que vem da alma, da inspiração divina, é o caminho sábio do peregrino, é o mistério da vida e da morte, dos ciclos da natureza, da evocação da palavra mágica, é a essência ancestral perdida em um mundo superficial, é a ancora que leva a raíz da árvore sagrada. Seus mistérios que compõem e mantém vivo a essência, da fé nos costumes e devoções à magia, da fé na Espiritualidade Tradicionalista e talvez por este motivo muitas pessoas ficam fascinadas com a ideia de se tornar uma Bruxa ou Bruxo.

Bruxaria Tradicional é um modo de vida para indivíduos, não para massas; é tanto uma prática quanto um sacerdócio e não uma vestimenta que pode ser jogada fora quando as coisas ficarem difíceis, por isto não é raro encontrar pessoas que realmente acreditam que voamos em vassouras, ou que, ao nos tornarmos Bruxas, poderemos transformar a vizinha fofoqueira em sapo, ou ainda conquistar instantaneamente o gatinho mais cobiçado da escola. Pessoas que buscam na Bruxaria seja ela de qual seguimento seja com esse tipo de ilusão, ou que acham que reproduzindo o que viram em seriados como ‘Charmed’ ou no filme ‘Jovens Bruxas’ estão praticando a antiga Arte da feitiçaria, só podem se tornar ridículas e se decepcionar.

As Bruxas da Bruxaria Tradicional verdadeiramente são o mistério mais excelso da terra. Elas sentem o cheiro da morte, da vida, da mentira, da traição e outros mais....... Ainda nos dias de hoje somos as erveiras, raizeiras, benzedeiras, mulheres sábias que honramos esses ensinamentos passados por nossas ancestrais, talvez seja por isso que, como disse Clarissa Pinkola, toda mulher parece com uma árvore. Nas camadas mais profundas de sua alma ela abriga raízes vitais que puxam a energia das profundezas para cima, para nutrir suas folhas, flores e frutos. Ninguém compreende de onde uma Bruxa da Bruxaria Tradicional retira tanta força, tanta esperança, tanta vida. Mesmo quando são cortadas, tolhidas, retalhadas, de suas raízes ainda nascem brotos que vão trazer tudo de volta à vida outra vez.




As Bruxas Tradicionais vivem de uma maneira sagrada porque o mundo é sagrado, portanto é necessário tratar toda forma de vida com reverência e respeito, talvez por isto as pessoas costumem temer o que não conhecem bem, e é isso o que acontece com relação à Bruxaria Tradicional. Uma coisa importante a entender é que uma Bruxa Tradicional usa magia, em primeiro lugar, para moldar aspectos de sua própria vida depois ela a usa para fazer o bem respeitando sempre o livre arbítrio, mas entendemos que não é errado fazer magia para si, mas é errado fazer magia para passar por cima dos outros. Não é errado fazer magia para atrair um amor, mas é errado utilizá-la para escravizar pensamentos e tirar o livre-arbítrio de qualquer um que seja. No final, o mais prejudicado será você e apesar de não haverem regras na Bruxaria, duas coisas se tornam implacáveis: a lei do Tríplice Retorno (ou a Lei de Três) e nunca fazer algo que prejudique a si e aos outros.

Eu fico pasma como hoje é tão fácil você ler alguns livros, estudar por um ano e um dia e se autoiniciar. Pronto, você já deu um grande passo: agora você é Bruxa ! Não, você não é Bruxa. Não se pode simplesmente acreditar que você é uma Bruxa só porque você diz ser Bruxa. Este é o grande erro da nova geração. Este tem sido o erro fundamental que resultou na falta de credibilidade, na deturpação de valores transmitidos pelas nossas ancestrais.

Bruxas Tradicionais vivem de uma maneira sagrada porque o mundo é sagrado, portanto é necessário tratar toda forma de vida com reverência e respeito, aprendemos que a Magia muitas vezes funciona de maneira inesperada porque não é um processo mecânico, e o Universo não é uma máquina. Você está vivendo e fazendo magia dentro de uma Divina Realidade.




A Bruxaria Tradicional é muito mais que rituais e feitiços, é compartilhar, amar, cuidar...É saber levar a cada um o amor de nossos caminhos, o conhecimento sem medo de ser passado a outras pessoas, mas realmente passar na esperança que seja para um grande propósito onde fará a diferença um dia para muitas pessoas. Na Bruxaria Tradicional sabemos que as nossas escolhas são como sementes que plantamos, elas geram frutos, frutos que inevitavelmente colheremos, sejam eles bons ou maus.

A Bruxaria é uma tradição mágica. Xamanismo e Magia são técnicas espirituais, isto é, para ser Bruxa não é preciso fazer magia, ou ter poderes paranormais. Muito menos ser vidente ou médium. O que diferencia a Bruxa do Mago ou Xamã é a sua devoção pelos Deuses. Xamanismo e Magia são técnicas utilizadas pelas Bruxas, mas não têm nada a ver com a parte devocional da Bruxaria. É possível ser Bruxa fazendo-se somente os rituais de devoção, sem nunca praticar um único feitiço na vida, mas o contrário não é verdadeiro, pois, se não houver da sua parte um Amor sincero pela energia dos Deuses e harmonia com a Natureza, você pode fazer feitiços dia e noite, mas nunca será uma Bruxa. A Bruxaria Tradicional faz de cada ato, cada momento, cada instante uma celebração à vida. Os atos cerimoniosos ou momentos ritualísticos são a parte “fácil”, pois manter a intenção mágica em cada ato do dia, levar para o cotidiano os ensinamentos recebidos é o maior desafio das pessoas que buscam o crescimento dentro da Arte. A cada momento de sua vida mostrar aquilo que é e acredita, deixando de lado as desculpas ou críticas que surgirão no caminho.

A Bruxa vive gloriosamente, porque vive fazendo o caminho de fora para dentro, buscando filtrar tudo o que deve e o que não deve deixar entrar no seu templo sagrado, que é seu ser inviolável. Tem consciência dos seus erros, sem fantasias ou culpas infundadas. Sua noção de segurança individual e coletiva lhe promove uma vida de bem-aventurança pela virtude da prosperidade e da abundância.

Finalmente, a Bruxa aprende a se purificar vivendo com realismo, dentro da sua verdade, porém com a simplicidade dos Deuses, sem se abster das coisas que lhe foi permitido reger e proteger.

Por tudo acima descrito, é que costumamos afirmar que: "no caminho da Bruxaria são muitos os que buscam, e muito poucos os que chegam”.

Selma – 3fasesdalua



sábado, 6 de maio de 2017

ASSIM SÃO AS BRUXAS DA BRUXARIA TRADICIONAL NOS DIAS DE HOJE


Nem sempre conseguimos as respostas para as nossas perguntas então procuramos, mais de uma vez e transformamos a busca em uma tarefa a mais desta nossa louca vida.


Engana-se aquele que acha que tudo é simples. Na realidade a simplicidade das coisas está na complexidade do que é. Somente com predisposição de aprender e humildade poderá, então, seguir adiante caminhando pelo seu próprio caminho.


Às vezes não compreendemos que as respostas estão dentro de nossos corações e nos recusamos a ouvi-las e por isto Eu sempre falo que temos que procurar sempre nos conhecer, este sempre vai ser o primeiro desafio para obter a consciência de si mesmo e do que é capaz. Não podemos dizer que conhecemos tudo o que está ao nosso redor se não conhecemos a nós mesmo. Somente nos conhecendo a nossa divindade e os nossos demônios saberão o que somos capazes de fazer.


Bruxaria Tradicional é sabedoria ela acontece quando conseguimos transformar as coisas mais simples. Quando usamos os incensos e as ervas sabemos que ela serve para focar nossa energia no objetivo. Quando estamos mal e nos esforçamos para ficar bem, ou desejamos algo de uma maneira tão convicta que aquilo acontece, estamos praticando uma forma simples de magia.



O princípio da caça às Bruxas era tomar as terras das mulheres que viviam sozinhas. Elas eram independentes, conheciam o poder das ervas, por isso incomodavam e por isto se criou o estereótipo da Bruxa má que é fruto da demonização das mulheres perseguidas pela Igreja Católica. Na Europa, durante a Inquisição. Milhares de hereges foi para a fogueira 85% deles mulheres, a maioria acusada de Bruxaria. 'Na cidade de Trier, na Bavária, havia 800 mulheres. Num dia só, 798 foram queimadas.


Ser uma Bruxa da Bruxaria Tradicional significa tomar posse do próprio destino, e este é o primeiro passo para aplicar a magia no dia-a-dia.

Na Bruxaria Tradicional Eu aprendi que Eu não sou a neta das bruxas que vocês queimaram, Eu sou a reencarnação delas. Sou o seu Espírito que voltou com a força que inspiraram. Que aprendeu que a cura é proteção que nos revela e isto Significa que eu tenho a coragem e a força para me permitir ser quem eu realmente sou e não se tornar mais ninguém sem ideia que eles pensam que Eu "deveria" ser.

Dentro da minha Religião Eu sou um espírito que vagou para retornar a esta terra onde minhas irmãs Eu reencontrei ao meu lado Eu senti as chamas arderem em meu corpo e pulsar a morte por ter um poder Desconhecido e ignorado.




Hoje dentro do meu Templo me reúno com minhas irmãs em círculo me resgato e me curo em um só couro de nossas vozes caladas saem como a chama que os nossos corpos já nus, sem pudor nos clama, pois Eu sou sincera, teimosa e determinada.

Nós Bruxas da Bruxaria Tradicional nos curvamos para as florestas, pois somos as Bruxas que voltou para continuar a missão de seguir o caminho da Deusa sempre olhamos o passado como referência, o presente como luz, o futuro como meta e os monstros como parte do caminho. Somos as filhas de um poder maior pois estamos recebendo os ensinamentos das nossas ancestrais , utilizo trajes de todas as cores e em cada ritual especificamente. No inicio uso apenas branco. Quando Sacerdotisas uso preta dependendo dos rituais.


Eu sou Guardiã dos Sagrados e Saberes da Mãe terra, pois pela Deusa, eu quero o que eu quero e não há nada de errado com isso e aprendi também que Sou anciã, donzela, sou plena, sou feiticeira, Sou todas as forças em uma maior que impera, então, tente parar-me, tente apagar minha chama interior, tente pisar cada grama de beleza que tenho dentro de mim, pois Eu Sou a maré se movendo com a força da Lua Cheia.
Entendam de uma vez por toda que Eu não ando sozinha, nem ando com medo, ao meu lado tenho minhas Irmãs e minhas Ancestrais. Hoje estou mais forte e resgato O Feminino nosso de cada dia tão Sagrado e se isso me faz uma Bruxa, que assim seja. Eu abraço o título e tenho orgulho de suportar. Eu amo isso, pode me chamar de Bruxa agora e não me sinto mal sobre isso.


"Eu não sou uma bruxa, eu sou A Bruxa. E pra você, eu sou a Sra. Bruxa."


Selma – 3fasesdalua



quarta-feira, 3 de maio de 2017

COISAS DE BRUXAS DA BRUXARIA TRADICIONAL


Conhecer a si mesmo é a tarefa mais difícil, pois incita diretamente a nossa racionalidade, mas também coloca à prova nossos medos e paixões, pois a identidade da Bruxa transcende as encarnações, pois a alma de uma Bruxa é servir de ponte para unir o passado, presente e futuro, através do instrumento maior e mais complexo da humanidade que é o AMOR.


Como praticante da Bruxaria Tradicional, entendemos que temos de parar de pensar em termos de espaço e tempo linear. Precisamos pensar em termos de ciclos ou espirais. Nós temos os ciclos vitais, os ciclos de morte e renascimento, os ciclos das estações, os ciclos da Lua, os ciclos internos do nosso corpo físico e os ciclos de energia. Nada é linear, tudo gira em círculos o que chega até nós, sai de nós e volta para nós, pois assim somos nós Bruxas Tradicionais e sabemos que a palavra Bruxa é deliciosa, impregnada de antiquíssimas memórias que remontam aos nossos mais remotos ancestrais, que viveram em estreito contato com os ciclos naturais e apreciaram o poder e a energia que compartilhamos.

As Bruxas Tradicionais transcendem a compreensão medíocre, simplória, somos treinadas para que tenhamos idealismo na alma e no coração e assim trazemos nos olhos a luz do amanhecer e a serenidade do acaso, pois é assim que mantemos os nossos dois pés no chão da realidade, mas nós Bruxas também, sofremos por nossas perdas. Mas quando uma Bruxa pede por justiça, quando uma Bruxa renasce das cinzas, até o vento da maior tempestade cessa diante dela.



Quando uma Bruxa da Velha Arte fecha os olhos, ela pode ver em todos os lugares e pode observar tudo o que está acontecendo ao seu redor ou até mais alem, pois somos mulheres de coração desarmado, sem ódio e preconceitos baratos. Somos Bruxas e por isto falamos com plantas e bichos, dançamos na chuva e nos alegramos com o sol. Cultuamos a Lua como Deusa e lhe fazemos celebrações... E por sermos o que somos as pessoas que se acham certas nos chamam de gente muito estranha mais essas pessoas sejam elas quem for não entendem como nós Bruxas falamos de amor com os olhos iluminados como par de luas cheias, que erramos e reconhecemos, caímos e nos levantamos, com a mesma energia das grandes marés, que vão e voltam em uma harmoniosa de cadência natural.

Não posso remediar erros, se é que foram erros, cometidos por homens mortos antes que eu nascesse. Já tenho muito que fazer para reparar os meus próprios erros, e não viverei o suficiente para vê-los todos reparados. Mas farei o que estiver ao meu alcance, enquanto eu viver, pois assim as minhas Ancestrais me ensinaram e como sei que Eu sou da terra, do fogo, da água e do ar. Sou de antes e de agora e vou morrer e renascer, pois é assim que vivemos.

Ser Bruxa da Bruxaria Tradicional equivale a confessar-se como habitante de um mundo cheio de mistério, encantado e mágico do universo. O passado torna-se real e não um mero relato dos livros de história e dos autos religiosos. Tornamos-nos uno. Partícula infinitamente pequena na grande engrenagem de um todo. Sentimos-nos impulsores do sistema e assim, o verdadeiro sentido de responsabilidade e comprometimento passa a ser inerente ao nosso ser e a escrever a nossa história, somente assim saberemos como compartilhar nossos dons com o mundo e entendemos a importância de reconhecer quais dons temos para compartilhar. Talvez assim as pessoas que não são Pagãs entendam de uma vez por toda que as BRUXAS não trabalham para o demônio, não estamos interessadas no Satã. Satã foi inventado pelos cristãos. Eu não sou uma cristã. Eu não vou à igreja aos domingos. Eu não temo ir para o inferno porque eu acredito no inferno tanto quanto acredito no Satã.



Eu acredito em reencarnação; que voltarei para este mundo ou outro, e viverei outra vida. Eu não sou má. Dizer às pessoas que eu sou uma "Boa Bruxa" ou perguntar-me se sou uma Boa Bruxa implica que há Más Bruxas. Há pessoas más no mundo, e há pessoas que escolhem usar as forças da natureza para fazer mal aos outros; essas pessoas não são Bruxas. A lei principal da Bruxa é "Faça o que quiseres sem a ninguém prejudicar".

Por respeitarmos, conhecermos e vivenciarmos as Tradições da nossa História e Religião aprimorou os nossos mais diversificados sentimentos em relação a todas as irmãs Bruxas e nos tornamos sensíveis aos fenômenos da natureza por vivenciarmos com a alma e o coração as nítidas transformações energéticas climáticas e geográficas, por nos sentirmos participantes inatos deste sistema sempre somos fieis aos nossos princípios por compreendermos a nossa trajetória como Bruxas, pois somos seres verdadeiramente livres por conhecermos e entendermos dentro da nossa doutrina que todos somos iguais no grande útero da Grande Mãe, que nos acolhe, assim, somos parte de todos os reinos da natureza, mineral, animal e vegetal.

Se alguém quer me perguntar algo relacionado à minha religião, pergunte-me quando a próxima lua cheia vai chegar. Pergunte-me sobre ervas. Cristais. Curas. Às vezes me pedem para fazer uma poção do amor. E eu não vou lançar um feitiço no seu "desejado" para fazer ele te amar. Acredite-me, você não quer isso. Isso é forma de manipulação, mandar em alguém, infringe na sua liberdade. Não é bom para ninguém. Magia funciona como uma co- criação. Uma bruxa funciona com energia universal, com os deuses, "inclinando" a máquina de probabilidade para algo. Não tente enfeitiçar seu chefe a dar um aumento. Simplesmente peça ao Universo que aumente “fluidos" de abundância e prosperidade em sua direção. Isso não afeta ninguém. Última coisa; dar-me um livro sobre a Inquisição é como dar um livro sobre o Holocausto a um judeu. Não é engraçado, é rude. Por favor não tente me deixar envergonhada com o que faço ou o que sou. Por favor não tente me converter ou me "salvar". Não atire água benta em mim. Não me deixe "santinhos" sobre minha mesa ou para-brisa. Eu não necessito ser salva. Nós BRUXAS somos orgulhosas do que somos e conhecemos o nosso caminho nós simplesmente somos.



Quero gritar para todos ouvir e entender que quando estudamos a nossa religião, e nos iniciamos nos caminhos da Deusa, estamos apenas olhando ao longo de uma janela que por algum tempo a mantivemos fechada e que neste momento abrimos para vislumbrarmos os panoramas externos, que os nossos olhos pararam de ver pelo simples fato da janela está fechada. 

A consciência dos Deuses em nós é "autoconsciência". O conhecimento da Deusa, em toda a sua potencialidade é autoconhecimento.

Ao encontrarmos a Deusa em nós, aprendemos a nos respeitarmos enquanto mulheres e desenvolvemos a ética, o respeito ao próximo, a civilidade, a cidadania, aprendemos o valor da palavra dada e assim estimulamos a sinceridade, a fidelidade e a generosidade em nós, e nas pessoas com quem convivemos, por entendermos nitidamente o valor dos relacionamentos entre os seres humanos.


Tudo isto é o que Eu e minhas irmãs da Bruxaria Tradicional somos simplesmente BRUXAS DA BRUXARIA TRADICIONAL.


Selma – 3fasesdalua


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